23/02/2007: Pastorais Populares na Arquidiocese de Pouso Alegre
AS PASTORAIS POPULARES NA ARQUIDIOCESE DE POUSO ALEGRE, MG. 1978 - 1990

Dissertação apresentada à Banca Examinadora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, como exigência parcial para obtenção do título de MESTRE em História, sob a orientação da Professora Doutora Estefânia C. Kanguçu Fraga.

De 1978 a 1990, a arquidiocese de Pouso Alegre, sul de Minas Gerais, viveu um momento de confluência de diferentes orientações teológicas e práticas religiosas, acompanhando o período de abertura pós-Vaticano II. Dentre elas, destacaram-se as pastorais populares, sob a influência da Teologia da Libertação. Nesse período, emergiram novas lideranças religiosas, sindicais e políticas, oriundas de parcelas anônimas da população.

Como os militantes dessas pastorais vivenciaram experiências novas e significativas, pessoais e coletivas, em seu cotidiano? Para responder a esta questão, foram consultadas fontes diversas. Boletins, cartilhas de reflexão, relatórios, apostilas de cursos e planejamentos forneceram registros das interpretações dadas às práticas sociais pela militância local. Imagens de vídeo e gravações radiofônicas permitiram acompanhar discursos elaborados ou espontâneos, além de todo o aparato ritualístico das manifestações religiosas de cunho sócio-politizante. Fundamentais foram os depoimentos orais que reelaboraram, no aflorar das lembranças, os significados das próprias experiências e dos sonhos sobre o “jeito novo de ser Igreja” e a “nova sociedade”.

A dissertação foi dividida em duas partes para abordar as temáticas essenciais do período: a COMUNIDADE e a LIBERTAÇÃO. Na primeira parte, o militante é acompanhado em sua trajetória na Igreja que se pretende REDE DE COMUNIDADES. Após o encanto inicial, ele começa a perceber a heterogeneidade do projeto, diferenciando as VOZES DA CAMINHADA. Chega, finalmente, à inevitável reflexão sobre as dificuldades e as transformações necessárias que as práticas comunitárias vão provocando no projeto original. São os LIMITES DA EXPERIÊNCIA.
A segunda parte aborda discursos e práticas da libertação. Parte do contexto arquidiocesano, quando teve início a “caminhada de libertação”. A MARÉ PROGRESSISTA acompanhou, no sul de Minas, a onda desenvolvimentista de diversificação industrial e as alterações na vida do homem rural. As experiências vividas, em diferentes setores da arquidiocese, constituíram-se em verdadeiras ESTRATÉGIAS DA LIBERTAÇÃO. Finalmente, tensões e enfrentamentos em busca da hegemonia na condução de pastoral arquidiocesana são sintetizados no terceiro capítulo: “É, A TURMA DA CUT GANHOU!”.

As experiências dessa época extrapolaram o campo religioso, forjaram novas concepções do social e do sagrado, alimentaram utopias e projetos imediatistas, despertaram o senso de historicidade e, portanto, ajudaram a construir novas identidades. Caminhava-se para uma reflexão mais elaborada sobre as culturas e o “ser latino-americano”, com a proximidade das comemorações de 1992, quando ocorreu o afastamento das principais lideranças com o conseqüente abandono da orientação pastoral que elas representavam.
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